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Isaac Júnior
Da equipe de A CRÍTICA

Um grupo de alunos aprovados no último concurso da Polícia Militar começa a enfrentar problemas antes mesmo de entrar, definitivamente, para a corporação. Desde o dia 1º último, quando teve início o Curso de Formação de Soldados, no Comando Geral, em Petrópolis, Zona Sul, eles alegam tratamento diferenciado e reclamam que as aulas estariam sendo ministradas por cadetes e não por oficiais. "Não temos direito a tomar água, não há nada para comer e ainda temos de assistir a aulas dadas por cadetes numa área descoberta, a mercê do sol forte e da chuva", denunciou a soldado-aluna Ana*. "Na semana passada tivemos de ficar sentados em uma poça de lama durante todo dia", acrescentou.

A aluna lembra que chegou a ver o refeitório aberto e, junto dos demais colegas, foi ao local atrás de água para beber. Acabaram recebidos de forma desagradável por um grupo de soldados. "Eles bateram a porta e disseram para tomarmos água da torneira. E passamos a fazer isso mesmo", desabafou, acrescentando que já chegou a ficar de 7h às 19h sem se alimentar no curso. "Ontem (segunda-feira), eu não tinha tomado café em casa, passei mal e desmaiei. Vieram brigar comigo, chamaram palavrões e mandaram correr. Na sexta-feira, o sol estava tão quente que a pele de uma colega ficou pipocada", observou.

Conforme a denúncia, estaria havendo pressão psicológica para que alguns desistam do curso. "Um soldado me mostrou um documento para eu assinar e desistir."

PM fala em equívocos

De acordo com o chefe do Estado Maior da PM, que tem respondido pela assessoria de imprensa, coronel Oliveira Filho, as denúncias são equivocadas. Em relação aos cadetes, ele justifica que todos estão no curso na situação de monitores, a exemplo dos sargentos, cabos e soldados. "Em determinado momento os cadetes podem sim dar instrução", explicou.

Sobre a alimentação, o oficial afirma que os alunos têm direito às mesmas previstas para todos os policiais, servidas no quartel por empresa terceirizada. "Eles têm café da manhã, almoço e jantar. E ainda têm direito à alimentação se passarem do horário previsto nas instruções", disse o coronel, alegando que, no único dia que ficaram até noite, sábado, dia 4, todos foram enviados aos locais de votação para guardar urnas e receberam alimentação.

 

 
 
 
 
 
 
 

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