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A
linguagem tem um conceito heurístico que
permite na prática a realização
de feitos fantásticos que facilitam a vida
das pessoas. As descobertas científicas
que são levadas de nação
a nação; as histórias, os
hábitos e os costumes que são repassados
de geração a geração.
Tudo isso é possível porque "a
linguagem é heurística no mais amplo
sentido de que suas formas nos predeterminam certos
modos de observação e interpretação"
(SAPIR, 1956, p: 36).
Contudo, a linguagem
é um mecanismo de comunicação
que, às vezes, se converte num paradoxo
porque as palavras e os símbolos utilizados
podem ter sentidos distintos dependendo do contexto
onde estão inseridos e do que exatamente
se pretende comunicar.
"
porque a comunicação,
em sua relação com a semântica,
haverá de tratar da natureza do significado
das palavras, da natureza do significado das coisas,
de suas relações e da teoria geral
do significado, e, ademais, porque a comunicação
é um ato intencional, cuja função
consiste em suscitar no destinatário o
significado a que se aponta e porque é
fundamentalmente verbal"(RUIZ, 2006, p:19)
A natureza heurística
da linguagem é porque permite um estudo
a partir de uma dada realidade, e mais no contexto
do ensino-aprendizagem onde há uma diversidade
de culturas, já que o alunado que faz parte
do contexto escolar vem de contextos sociais,
econômicos e culturais distintos, e os professores
devem atender a casos em particular e ao mesmo
tempo desenvolver conteúdos que são
comuns a toda a comunidade escolar. E todos os
inseridos nesse contexto têm o desejo de
comunicar e, ademais, necessitam estabelecer comunicação,
pois esta é um instrumento principal dentro
do contexto de ensino-aprendizagem.
"(
) A linguagem existe em relação
com um desejo de expressar e de comunicar, conseqüentemente,
o modo da estrutura da linguagem - a maneira com
que se relacionam as palavras e as frases - reflete
uma forma particular de estruturação
do sentimento e, desse modo, os próprios
meios de interação e resposta ao
meio ambiente." (BERNSTEIN, 1975, p.36)
Com a complexidade
que possui a linguagem, somente o ser humano poderia
manejá-la com tanta sabedoria a ponto de
modificá-la conforme seus desejos e necessidades.
René Descartes (1596-1650) foi um dos que
muito contribuiu com seu olhar filosófico
ao interior de nosso mundo mental analisando nossas
idéias de forma que pudéssemos ficar
somente com as que são claras e distintas
(LUPICINIO, 2006).
Talvez tenha sido
a complexidade desse poderoso instrumento a ferramenta
principal que deu origem aos estudos de Jakobson
sobre as várias funções da
linguagem. Ruiz (2006) aborda os estudos deste
pioneiro (Jakobson,1975) que já considerava
a linguagem como principal instrumento da comunicação.
Foi Jakobson (1960) em um artigo "Lingüística
e poética" que propôs as seis
funções da linguagem associadas
a cada elemento que formava parte de seu esquema
sobre a comunicação. O contexto,
por exemplo, ele associa a função
referencial ou denotativa, a qual está
dirigida à informação em
sentido estrito. A função emotiva
ou expressiva assim a define pelas relações
estabelecidas entre o destinador e a mensagem,
ou seja, o emissor expressa determinada atitude
frente ao objetivo da mensagem. A função
conativa define as relações entre
mensagem e destinatário, com o objetivo
de conseguir uma resposta do destinatário.
Já a função poética
surge da orientação até a
mensagem pela mensagem e mantém uma relação
com a estética, como é o caso da
poesia. A função fática,
descrita por Jakobson, corresponde à acentuação
do contato e se manifesta na mensagem que serve
essencialmente para estabelecer, prolongar ou
interromper a comunicação e permite
certificar-se de que o canal da comunicação
funciona. Por última, a função
metalingüística na qual o discurso
versa sobre o próprio código. Todos
estes instrumentos de que se servem os falantes
no processo da comunicação convergem
para as informações entre os protagonistas
do processo comunicativo que são o emissor
e o receptor. E ambos têm que, principalmente,
conhecer o código utilizado para que realmente
a comunicação aconteça.
Maria
de Fátima Castro Amorim: Graduada
em Letras, pela Universidade Federal de Juiz
de Fora, Especialização em Psicopedagogia,
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Doutoranda do Curso Diversidad y Desarrollo
Socioeducativo, da Universidade de Valladolid
- Espanha; professora pioneira na Universidade
do Estado do Amazonas, CEST/Tefé e professora
concursada da SEDUC. Publicações:
Desabafo em Poesia; Educação em
Tefé.
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