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Muitos podem pensar quão fácil é sair de seu país em busca de novas oportunidades, de crescimento pessoal e profissional. E é mais difícil quando se busca a superação profissional por seus próprios meios econômicos, sem uma bolsa de estudo. E aqui há que pensar muito, porque o caboclo deve se perguntar: "Quantos mestres e doutores tem o município de Tefé e outros municípios vizinhos?"; "Há uma política de ajuda direcionada à formação de profissionais na área de educação?"

Infelizmente, na sociedade em que se vive é a titulação que conta. E Tefé necessita refletir mais sobre sua realidade educacional. O nativo cada vez mais perde seu espaço porque não há política de apoio àqueles que desejam e buscam a superação profissional. E o certo é que uma sociedade que não investe na educação, na formação dos profissionais que conduzem o processo educativo, estará sempre marcando passo, correndo o risco de cair na marginalização e na exclusão político-social, enquanto outras que buscam a qualidade de ensino estão dominando o mundo.

Mas quando se fala de uma política educacional direcionada a apoiar os profissionais que buscam a superação, espera-se que seja uma política justa que contemple os que realmente são comprometidos e não os grupos de interesse, porque seria mais uma verba pública desviada para benefício de uns poucos.

Quando se sai de seu país de origem e chega a um outro em busca de oportunidade, se sente a discriminação porque o país que recebe o imigrante se sente invadido e aí começam as dificuldades.

E os entraves com os trâmites não são simples quando se deseja estar legalmente em um país estrangeiro. Para ingressar em uma Universidade estrangeira, por exemplo, em busca de um Doutorado, se leva pelo menos um ano para regularizar os papéis necessários exigidos pela Instituição. Quando já se consegue um visto de estudante, por exemplo, de certa forma já se viaja com mais tranqüilidade.

Infelizmente, sem visto, independentemente de ser homem ou mulher, ambos sofrem discriminação. Se se trata de homem que entra como turista, este é subjugado, no pior dos casos, como terrorista, e se se trata de mulher, como prostituta. Já o visto de estudo é a garantia de que ele/ela não tem outros interesses que firam a cultura do país que acolhe o emigrante. Isso é um preconceito que marca qualquer que saia de seu país, sobretudo para Europa ou Estados Unidos.

E mais, um visto de estudo não te garante tudo, porque para um estudante permanecer no estrangeiro para seguir estudando, deve cumprir uma série de exigências e assim poder sacar um DNI (Documento Nacional de Estrangeiro). É uma realidade cruel, um desafio que, às vezes, dá a sensação de impotência, devido às exigências de papéis para os trâmites. À parte de se estar numa nova cultura, enfrentar um novo idioma e pessoas estranhas que, na maioria das vezes, olham o estrangeiro como um intruso ou mesmo como um marginal.

Até que se consiga resolver todos esses trâmites, é impossível não ter os nervos abalados e certo grau de tensão e de estresse. E é necessário ser forte, porque é uma longa e dolorosa história que se repete a cada chegada. Todavia, tudo isso se supera e se conquista.

Outro desafio é enfrentar as salas de aula, dominar o idioma para entender as aulas. As leituras incessantes, porque apesar de exaustivas, se convertem nas melhores mestras. Elaborar os trabalhos e apresentá-los: que sufoco!

Mas o brasileiro, em especial o amazonense, caboclo, não se deve deixar sucumbir fácil. É necessário superar todas as dificuldades, os medos, a insegurança que, às vezes, irremediavelmente chegam, e regressar vencedor, porque esse é o maior desafio daquele que sai de seu país em busca do melhor.

No entanto, não se quer dizer que o melhor não esteja no próprio país de origem. É necessário valorizar a cultura nativa, a gente nativa, os interesses do povo nativo de um país, e para isso é necessário uma política socio-cultural-econômica realmente comprometida com os interesses da gente nativa.
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