Justiça:
Quanto custa a vida?
A
absolvição do advogado Krien Oliveira
de Queiroz, acusado por homicídio e absolvido
em júri popular trouxe uma nova discussão:
- Quanto custa a vida? Há quem diga que
ela não tem preço, mas há
quem
diga também que seu preço é
do tamanho do dinheiro que se tem no bolso ou
ainda da influência que alguém
possa representar.
Opiniões
à parte, o que se sabe mesmo é
que a vida se encerra com a morte. Morte que
poderá vir por decorrência do próprio
tempo, acidentes e de tantas outras formas.
Ruim mesmo é quando ela é
antecipada, assistida como uma tragédia
que choca, que tem vítima e vilão
e que com o tempo, como os castelos de areia
edificado às margens dos rios ou dos
mares somem sem deixar marcas. Neste caso, um
crime sem culpados. Marcas estas
que permanecerão o resto da vida da mãe
que teve seu filho condenado à morte
por um motivo banal. Se é que há
motivos razoáveis para se tirar a vida
de alguém sem sentença condenatória.
Na lei dos homens,
a vida tem preço e como se trata de homens
são eles que dão o preço.
No caso de Alderly Martins, um jovem de origem
pobre a vida não custou nada. O único
apontado como autor de sua morte foi absolvido
e como foi defendido pela família não
teve despesas nem com advogado. Despesa só
na festa de comemoração pela absolvição,
que contou até com seguranças.
Festa que deverá ficar marcada na consciência
de quem praticou o crime a lembrança
de um dia para celebrar a impunidade, a injustiça
e o desrespeito à vida.
Para a sociedade
que se acostumou a apontar o dedo para a justiça
e acusá-la de conivente ou de injusta,
pelo menos neste caso, não se legitima
esse direito, o acusado foi para o banco dos
réus e quem o absolveu foi a própria
sociedade ou pelo menos quem deveria representá-la.
Por generosidade ou por convicção
o Conselho de Sentença encerrou
um caso, longe dos autos-falantes da Câmara
dos
vereadores, na movimentada Rua Olavo Bilac,
onde habitualmente se realizam as sessões
do júri. Em um local discreto, longe
dos olhos de curiosos e sob o olhar desconfiado
de quem compareceu, o veredicto final de um
julgamento que ficará lembrado pela insignificância
da vítima e o status do réu.
Na república
dos sem terras e no país do bolsa família,
a luz não é para todos, e às
margens de um rio que testemunha os contrastes
entre pobres e ricos na rica e exuberante bacia
Amazônica, quem advoga é doutor,
fala quem não tem medo, réu vira
vítima, vítima vira culpado, a
vida tem preço ou poderá não
custar nada.
Raifran
Brandão