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A
língua portuguesa é recheada de
regras e é cada vez mais notável
a distância que separa a norma culta de
seus falantes. Isso em parte se justifica pelo
próprio fato de que as pessoas não
cultuam o hábito de ler, mas ainda há
aqueles que lêem e apresentam resistência
em por em prática aquilo que aprendem na
gramática. No contexto dos erros da língua
estão inseridos os que ignoram as regras
e os que as conhecem, mas mesmo assim estes não
se sentem à vontade para falar obedecendo-as.
É como o primo rico, aquele que todos admiram,
comentam, mas não conseguem ter intimidade
com ele.
De certa forma todos
acabam contribuindo para aumentar a distância
entre a língua culta e a coloquial. Aparentemente
isso não é muito ruim, porque se
parte do princípio de que o mais importante
é que a sua mensagem seja compreendida.
E ainda há aqueles que são enfáticos
em dizer que isso é o que importa, - você
entendeu? - Então pronto! Opiniões
à parte, o fato é que quando alguém
vai se submeter a um concurso público,
o que se ver é um corre-corre, bate um
desespero e a necessidade de se conhecer as regras
da própria língua. Por ironia, a
língua portuguesa é a matéria
que mais reprova nos exames vestibulares, seja
em forma de prova objetiva ou na hora da redação.
Essas dificuldades seriam mínimas se as
pessoas se habituassem a falar da forma que estudam
nas gramáticas, mas o erro parece que tem
mais força do que a própria vontade,
necessidade ou consciência de se falar corretamente,
daí ele continua; como conseqüência,
mais concurso, mais desespero e mais reprovação.
Curioso é também a substituição
de palavras para justificar erros ou atitudes
que merecem reprovação, tipo esquecimento,
distração, indiferença e
etc. Por exemplo, você comete um erro e
aí justifica - foi mal! Esqueceu algo no
lugar errado - foi mal! O foi mal acaba sendo
uma maneira de pedir desculpa, reparar os erros,
e muitas outras maneiras que o foi mal poderá
ser utilizada. O mundo moderno nos ajuda a empobrecer
a língua portuguesa; as gírias,
às vezes, até soam como algo não
muito, "careta", digamos assim, - opa!
-Acabei de uma. Mas a verdade é que ela
usada em excesso acaba comprometendo a beleza
da língua portuguesa. Assim, o foi mal,
as gírias e os neologismos excessivos acabam
tirando a riqueza e toda beleza que é a
língua portuguesa e quando isso acontece,
então, sim - agora foi mal!?
Em se falando de modernidade, há
os viciados em salas de bate-papo na internet
e o você vira vc, também passa a
ser tb, aqui é aki e assim sucessivamente.
O problema é que o hábito de uma
situação leva a outra, é
aí que mora o perigo! O computador faz
com que as pessoas escrevam menos, calculem menos
e algumas coisas passam a ser de menos e outras
demais. O século XXI chegou e parece que
estamos tão deslumbrados com os benefícios
tecnológicos que esquecemos de práticas
importantes como escrever e calcular. De positivo
temos as informações em tempo real,
já não nos limitamos à televisão,
esta que é ávida por consumidores
e que contribui substancialmente para estabelecer
valores e modas sem se preocupar com a conveniência
de quem irá consumir. Já a internet
você tem a liberdade de escolher o que quer
ver, mas essa liberdade nos coloca também
diante do risco de sermos fúteis já
que ela é um mundo sem limites, você
tem do ótimo ao péssimo. Fica a
conclusão de que o importante é
ter bom senso e não permitir que a tecnologia,
o modismo ou o chique suplante os valores que
fazem da vida a grande emoção na
maneira de falar, se desculpar, se informar e
de viver.
(RAIFRAN
BRANDÃO ARAÚJO)
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