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Noivar-se, esse parece ser o sonho de quase toda menina que cresceu e se tornou mulher. Incrível como essa idéia permeia a cabeça de milhões de jovens em todas as partes do mundo, não só pelo desejo de construção de uma família sólida, mais principalmente pelo fetiche de endeusamento e também curiosidades em relação à lua-de-mel.

Pedido de casamento, alianças, noivado, preparativos, escolha dos enxovais, vestido, véu, grinalda, coroa, maquiagem, convidados, festa, coquetel, música característica, pó de arroz, presentes, arremesso do bouquet de flores e a possível sorte de casamento a quem conseguir segurar as flores, tudo isso ainda fascina.

Muitas vezes, apesar de todos os esforços o sonho do casamento não se realiza e a frustração é o que resta.

Entretanto às vezes essa angústia e penúria os acompanham ao cemitério. E esse parece ser o destino de um fantasma que ronda todas as noites de quinta-feira, a estrada do aeroporto, atravessando da direita, onde funcionava o antigo Instituto Agronômico do Norte, para a margem da estrada, onde está localizada a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, conhecida como Capelinha.
Várias pessoas que até hoje ousaram passar por aquele local, no horário da meia noite, principalmente se for noite de quinta feira, viram algo der estranho, instigante e amedrontador.

Uma noiva que passa na frente do carro em alta velocidade e quando os motoristas se espantam e freiam bruscamente, tentando evitar o acidente fatal, quase sempre à noiva fantasma olha para trás e só então, motorista e passageiros ou acompanhantes, percebem que atrás daquele vestido branco, com um longo véu e grinalda não existe gente e sim uma caveira.

Alguns mais corajosos desligam os motores de seus veículos e podem não só visualizar o sinistro, mais ouvir também o sacolejo dos ossos, na medida em que a noiva fantasma se desloca.
Entretanto, parece presunção, esse fantasma, aqui denominado de a noiva da capelinha, faz sua aparição por apenas trinta segundos no máximo, com uma média de vinte passos, exatamente a largura da estrada e desaparece ao chegar à porta da Igreja de Fátima.

Tudo isso ocorre num piscar de olhos, deixando seus admiradores entediados e boquiabertos.
As apostas entre a platéia dos que já viram o fantasma, até hoje é grande, para saber quem poderá ser essa noiva fantasma que insiste em brincar de alma perdida.
Promessas já foram feitas, missas e ladainhas encomendadas, caixas de velas acesas em nome desse ente, mais até agora sem resultado.

Todos aqueles corajosos, medrosos, desconfiados e céticos, que ainda hoje ousam desafiá-la, acabam por assombrar-se, pois a noiva da capelinha, não só desfila em seu ritual na frente dos veículos, mais também tentar agarrar seus condutores.

Caro leitor, se és um desses incrédulos, com relação a fantasmas, cuidado ao trafegar a noite na estrada do aeroporto em Tefé, você pode ser a próxima vítima e quem sabe tornar-se o noivo que aquela criatura do além procura.

José Lino do Nascimento Marinho é professor de história e filosofia na EUA, compositor, intérprete, poeta, contista, radialista profissional, narrador esportivo e presidente da ALCAT - Academia de Letras Ciências e Artes de Tefé.

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